sexta-feira, 4 de dezembro de 2009

Melodia, da Vó!


Avó, desculpa se nunca realmente prestei atenção ao piano. Só que o meu sonho, nunca foi esse. Sempre preferi ouvir as doces e ternurentas melodias que saiam desses teus longos dedos, suaves. Ensinaste-me, mas não sei tocar nem metade do que tu sabes, nem um quarto até. Quando vias o meu tédio, dizias-me que não deveria aprender piano, mas sim aprender e ser boa em algo só meu, algo que me fascine. Segui os teus conselhos.
No fundo, nunca quis tocar como tu porque, o piano é algo tão teu, e um dia ficarei apenas com a memória das tuas melodias, daquele banco onde te sentavas, do brilho do piano no teu rosto, e isso chega-me!
(Talvez se o tempo recuasse dez anos, talvez se voltasse a ser uma gaiata, te chateasse o juizo para me ensinares mais, mas o tempo não volta atrás.)


No entanto, tenho uma louca vontade de tocar para ti hoje, para agradecer as tardes de Dezembro, chuvosas, quando vivíamos a milhares de quilómetros daqui, e tu, envolta nessa perfeita aura que possuis, tocavas para mim.

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